Receita de moqueca boa para veganos e diabéticos

Antes de falar sobre esta receita de moqueca, esclareço que não tenho formação acadêmica em nutrição ou medicina, mas em direito. Sou diabética há 27 anos e minhas conclusões são fruto de observação do meu comportamento glicêmico e de meus amigos e colegas diabéticos, e também da minha enorme curiosidade e vontade de entender o que acontece no meu corpo, o que me faz buscar informações.

Ontém estive na casa do documentarista Paulo Alberton para saborear uma deliciosa moqueca vegan. O evento tinha por fim arrecadar fundos para o filme “Quem realmente somos” do Paulo Alberton. A campanha de financiamento coletivo está sendo feita através do catarse, e tem 3 dias para terminar de arrecadar a verba necessária para, entre outras atividades, tratamento de som e imagem e edição final.

A moqueca foi preparada pelo Chef Egberto Cunha. Neste vídeo você pode ver quais são os ingredientes e como se prepara: Moqueca Vegan 

Em regra, as moquecas de peixe e de ovos tem pouquíssimos carboidratos (3g CHO em uma porção de 185g, e 3 CHO em uma porção de 85g, respectivamente), em função do índice reduzido de carboidratos do peixe e do ovo. Nesta moqueca, que não contém peixe ou ovos, alimentos não consumidos pelos veganos, e substituídos por banana e queijo de soja, há um pouco mais de carboidratos, mas ainda assim muito pouco em relação à porção consumida.

Antes de comer a moqueca, minha glicemia estava em 128 mg/dl. Comi 3 colheres de arroz (15 g CHO) e 2 conchas da moqueca vegan (calculei 10g de CHO para cada concha grande). Duas horas depois, minha glicemia estava nos mesmos 128 mg/dl (ainda tomei um pouquinho de cerveja e uma deliciosa água com hortelã, limão, laranja e pimenta dedo-de-moça). 

Portanto, a moqueca vegan do Egberto é boa não só para veganos, mas também para diabéticos.

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Maltose X diabetes

Antes de falar sobre diabetes e maltose, esclareço que não tenho formação acadêmica em nutrição ou medicina, mas em direito. Sou diabética há 27 anos e minhas conclusões são fruto de observação do meu comportamento glicêmico e de meus amigos e colegas diabéticos, e também da minha enorme curiosidade e vontade de entender o que acontece no meu corpo, o que me faz buscar informações.

Há alguns meses minha glicemia começou a se elevar muito rapidamente após o desjejum. A princípio, julguei que a dose basal do horário precisava ser aumentada. Mas, mesmo aumentando a dose de duas horas antes do horário do café da manhã, após a refeição a glicemia continuava subindo, e algum tempo depois caía veritignosamente. Voltei então a basal à dose anterior e testei modificar o pão que estava comendo (da marca Peter Pão) para um da Wickbold, e a glicemia parou de subir depois do desjejum.

Incomodada com o fato, enviei um e-mail à empresa Peter Pão, questionando-os se de fato o produto era feito sem açúcar, como dizia na embalagem. A empresa, bastante atenciosa, respondeu informando que não havia açúcar na composição do produto, que usava como substituto o extrato de malte.

Pesquisando sobre o assunto, descobri que “Malte” é um termo geral utilizado para várias coisas associadas com maltose. Maltose é a principal substância de reserva da célula vegetal, é também a junção de duas moléculas de glicose. Ao realizar a digestão o amido passa a ser primeiramente maltose e depois glicose. A Maltose é encontrada em vegetais, e tem função energética.

maltose

Maltagem é o processo no qual o grão de cereal é umidificado para iniciar o processo de germinação. Quando a semente germina, ela ativa enzimas que começam a converter suas reservas de amido e proteínas em açúcares e aminoácidos, os quais serão utilizados no crescimento da planta. O objetivo de maltar um grão é liberar estas enzimas para sua utilização no produto final.

Desta forma, embora o produto não contenha açúcar, se contiver maltose (extrato de malte e quaisquer outros subprodutos de malte), composta por duas moléculas de glicose, pode acarretar a elevação da glicemia de um diabético tão rápido quanto o açúcar refinado, sendo, portanto, não recomendado seu consumo pelos portadores de diabetes com grande sensiblidade à composição dos alimentos.

Já comia os produtos da marca Peter Pão antes de usar a bomba de infusão de insulina, mas, quando fazia o tratamento com a lantus, meu corpo não reagia ao malte. Agora, com a terapia com a bomba de infusão de insulina, e considerando que a minha dose basal é bastante pequena, minha sensibilidade à composição dos alimentos mudou bastante. Em regra, quanto menor a dose basal, maior a sensibilidade à composição dos alimentos, e quanto maior a dose basal, menor a sensibilidade. Assim, comecei a evitar o extrato de malte.

Todavia, nem sempre a marca é garantia de composição nutricional. Depois do episódio com o Peter Pão, comecei a comprar apenas pães da Wickbold.  Mas esta semana, mais uma vez, minha glicemia começou a se elevar depois do desjejum. Verificando a embalagem do pão – Wickbold 10 grãos – constatei que ele continha farinha de malte em sua composição. Já sabendo que o problema não era a dose basal, mas o malte, comprei outro pão, da mesma marca, sem malte em sua composição, e minha glicemia pós-desjejum voltou ao normal.

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Nutrição & Diabetes – veja que trocas fazer em sua dieta, dicas e muito mais !

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Escrito por Maíra Bonilha, com orientações da nutricionista Daniela Jobst, CRN 13312
A primeira coisa quando se pensa em diabetes é a restrição alimentar: o que posso e o que não posso comer? Entretanto, a dieta para diabéticosdiz respeito mais ao que colocar no consumo diário, e não o que deve ser retirado dela.Na dieta para diabetes, escolher os alimentos corretos e comê-los em quantidades corretas pode também ajudar numa das principais causas de diabetes tipo 2: a resistência à insulina. “Chama-se resistência à insulina a dificuldade de ação da insulina (hormônio produzido no pâncreas e que circula no sangue) nas células. Normalmente, a insulina ‘abre as portas’ das células do organismo para a entrada de glicose. Quando existe resistência a esta ação, a porta fica fechada e a glicose não entra na célula e permanece circulando no sangue, o que caracteriza o diabetes”, afirma Dr. Frederico G. Marcisotti, endocrinologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica/DASA. Ainda segundo o endocrinologista, a obesidade é a maior causa de resistência à insulina e 80% dos portadores de diabetes tipo 2são obesos.Os diabéticos precisam ingerir carboidratos, frutas e vegetais, proteínas e gorduras. Mas, além da preocupação com a resistência à insulina, há certa inquietude quanto ao índice glicêmico do sangue, que pode ser elevado em poucos minutos dependendo do alimento que foi consumido. Por isso, veja dicas práticas para serem usadas no dia a dia e tenha uma vida cheia de saúde!

Carboidratos e índice glicêmico

Farinha branca, arroz e batata são alimentos de alto nível glicêmico. Eles contêm o tipo de carboidrato que é digerido rapidamente, levando uma grande quantidade de açúcar para o corpo. “Os carboidratos são rapidamente absorvidos e assim criam picos de glicose indesejáveis. Quanto maior o tempo que o alimento precisa para ser digerido e absorvido, menor a elevação aguda da glicose. Por isso, recomenda-se que se usem alimentos integrais, que, pelo conteúdo maior de fibras, são absorvidos mais lentamente”, explica Marcisotti. Porém, é possível comer carboidrato sem se preocupar com o índice glicêmico. Há carboidratos que demoram mais tempo para serem digeridos.

Veja que trocas fazer!

Café da manhã: cereais com frutas

Ao invés de consumir cereais industrializados feitos com farinha branca e açúcar, experimente trocá-los por um cereal com alta quantidade de fibras e sem açúcar. Para dar um sabor doce, misture-o com frutas de sua preferência. Esta opção é cheia de nutrientes e demora mais para ser digerida pelo organismo.

Jantar: massa de semolina com vegetais

Para o jantar, prefira as massas de semolina, que têm menor índice glicêmico que as batatas. Incremente com vegetais, tomates, azeite de oliva e outros ingredientes saudáveis.

Alimentos integrais

Farinha, arroz e pão integral têm menor taxa glicêmica que os não integrais. Quando for fazer suas compras, não se deixe levar pelas embalagens contendo palavras como “trigo” ou “multigrãos”. Procure a palavra “integral” ou “grãos inteiros”.

Coma mais grãos

Quinoa, lentilha, cevada. Experimente outros grãos disponíveis no mercado, as opções são vastas. Baratos, eles podem ser preparados com vegetais grelhados, temperos, castanhas e outros acompanhamentos saudáveis.

Frutas e Vegetais

Todos já estão cansados de saber que eles são bons para a saúde e para perder peso. Porém, o que muitos não sabem é que eles são responsáveis por baixar o açúcar no sangue, além de trazerem mais saciedade. Com algumas exceções, é possível um diabético comer todas as frutas e vegetais que quiser.

Veja como inseri-los em sua dieta!

Adicione frutas a tudo

Adicione-os em tudo que for comer e você irá reduzir as taxas glicêmicas de cada porção. Além do mais, quanto mais frutas e vegetais você colocar, menos comida você vai comer, o que ajuda a reduzir as calorias ingeridas. Mas atenção à dica da nutricionista funcional Daniela Jobst: evite vegetais como beterraba e cenoura cozidos, prefira crus, pois diminuem o índice glicêmico!

Aperitivos de cenoura e brócolis

E que tal usar algumas cenouras como um aperitivo para comer em frente à TV? Experimente também levar alguns tomatinhos cereja para comer no trabalho no intervalo entre as refeições.

Comece pela salada

Outra dica é começar o almoço e o jantar pela salada. Além de serem superimportantes para nossa saúde, preenchem o estômago e fazem você comer menos carboidratos e calorias.

Lembre-se de inovar. Coma vegetais e frutas frescas, mas procure receitas saudáveis em livros ou com amigos. Descubra novos legumes e verduras, experimente cozinhá-los em vapor e adicioná-los a outros pratos.

Segundo Marcisotti, verduras não têm qualquer restrição para os diabéticos. Os legumes em geral também têm pouca restrição, pois são alimentos pouco calóricos e com conteúdo de açúcares muito baixo. “Já as frutas, apesar de saudáveis, não podem ser consumidas à vontade, pois contêm açúcar na forma de frutose. Devem fazer parte do cardápio, mas com limitações.”

Proteínas

Controle seu peso e o açúcar no seu sangue comendo proteína magra. Proteína não faz o açúcar no sangue aumentar, então adicioná-la a uma porção de carboidrato faz o nível glicêmico do prato diminuir. Além do mais, a proteína demora mais tempo para ser digerida, o que faz com que o açúcar no sangue suba mais vagarosamente. “As proteínas e gorduras não elevam o nível de açúcar (glicose) no sangue tão rapidamente e, por isso, a dieta do diabético restringe principalmente os carboidratos”, explica Marcisotti. E a proteína ainda deixa você mais saciado por mais tempo, se comparada aos carboidratos.

Não pense que qualquer proteína vale. Ao comer carne, por exemplo, evite cortes cheios de gordura e com molhos à base de manteiga. Escolha contrafilé, coxão mole e filé-mignon. Lembre-se de retirar o máximo de gordura da carne crua que puder, com a ajuda de uma faca afiada. Se você for vegetariano, escolha soja, feijão, lentilhas e ervilhas: são excelentes fontes de proteína. E não pense que para ter todos os benefícios da soja seja necessário comer tofu. Experimente refogar as vagens de soja ou torrá-las e comê-las como tira-gosto.

E cartão verde para os ovos: eles têm muita proteína e fazem muito bem para a saúde. Consuma-os no café da manhã, no almoço ou jantar.

Frutos do mar

Coma frutos do mar! São pobres em gordura saturada e ricos em proteína. O salmão e a sardinha, por exemplo, possuem ômega 3, um óleo saudável que ajuda no controle da glicemia e na prevenção de doenças do coração. Experimente também camarões, mariscos, caranguejos… mas evite consumi-los fritos: isso praticamente acaba com todos os benefícios alimentares dele. Atum em lata também vale, mas evite os que contêm óleo ou maionese.

Gorduras boas e más

Troque as gorduras más pelas boas.

Gorduras boas podem ser um problema para seu peso, mas são a chave para estabilizar o açúcar no sangue, pois não precisam de insulina para serem metabolizadas.

Gorduras más e boas

Uma dieta rica em gordura monoinsaturada (encontrada em peixes, oleaginosas e azeite de oliva) pode até mesmo ajudar a reverter a resistência à insulina. “Um estudo mostrou que uma dieta rica em gorduras monoinsaturadas diminui a resistência à insulina quando comparada a uma dieta com predomínio de gorduras saturadas e poli-insaturadas”, diz Marcisotti. Já as gorduras saturadas (encontradas em manteiga, carne e queijo) podem aumentar a resistência.

Gordura de carne e peixe

É básico: gordura de carne é ruim, mas a de peixe é boa.

Sorvete e iogurte

Troque o sorvete por iogurte frozen.

Costela e Peito de Frango

Costela de porco com molho barbecue, troque por peito de frango grelhado.

Embutidos e peito de peru

Salame, presunto e outros embutidos, troque por peito de peru.

Leite gordo e leite magro

Já o leite, escolha desnatado ou no máximo com 1% de gordura.

Se fizer as trocas aos poucos, vai conseguir tirar muita gordura da sua dieta e vai se acostumar rapidinho.

Tente escapar da carne ao menos uma vez por semana. Experimente sanduíches de vegetais grelhados, massas enriquecidas com legumes e castanhas, salada com pedaços de tofu… as opções são muitas.

O óleo de oliva é uma gordura boa e você pode cozinhar com ele. Não exagere, uma colher de sopa é o suficiente. Use na salada, no peixe e até para grelhar carnes. Isso vai reduzir e muito a quantidade de gordura saturada que você consome.

Amêndoa, castanha de caju, nozes e outras castanhas, assim como o abacate, têm um efeito benéfico no colesterol e ajudam a reverter a resistência à insulina. Ideias práticas e gostosas: coloque castanhas nas massas e use o abacate da maneira mexicana: como complemento para saladas.


coma-menos

Saber o que comemos é importante, mas o quanto comemos não deve ser deixado de lado. Para melhorar os níveis glicêmicos e a absorção de insulina, reduzir as porções ingeridas é fundamental.

Para a carne, um pedaço do tamanho de uma carta de baralho é o suficiente. Para o peixe, baseie-se no tamanho de um talão de cheques, e meia xícara de macarrão já basta.

Uma dica para comer menos é não colocar as travessas de comida na mesa. Sirva-se na cozinha e depois vá comer na copa ou, se a mesa fica na cozinha, deixe as panelas no fogão. Quando a comida é colocada na nossa frente, temos propensão a comer mais.

Diminua o tamanho do prato. Deixe a etiqueta de lado e, no dia a dia, coma nos pratos de sobremesa. A comida vai preencher o prato sem que para isso você precise exagerar nas porções servidas. O mesmo vale para copos: os pequenos ajudam você a consumir menos líquido durante as refeições. E lembre-se de comer em casa o máximo que puder. Você tem mais chance de consumir comidas gordurosas e calóricas quando você come fora.

Quando for sair para comer em um restaurante fast-food, opte pelo prato infantil, que vem com menos comida. Experimente começar o jantar com uma salada ou dividir a comida com alguém. Tudo para comer menos.

Guia de alimentação para diabéticos

Cuide da sua alimentação! Com estas dicas, você perderá peso e dificilmente terá a surpresa de ver seu índice glicêmico alto.

Fonte : Idmed em: http://www.portaldiabetes.com.br/conteudocompleto.asp?idconteudo=1000

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Princípios Gerais da Dieta Ideal para Diabéticos

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Nutrição & Diabetes


8/3/2011 – UOL

A educação alimentar é um dos pontos fundamentais no tratamento do DM. Não é possível um bom controle metabólico sem uma alimentação adequada.

Nos últimos anos houve consideráveis modificações nas recomendações nutricionais para indivíduos com DM. Planos alimentares baseados na avaliação nutricional do indivíduo e no estabelecimento de objetivos terapêuticos específicos, levando em consideração aspectos nutricionais, médicos e psicossociais, substituíram as dietas com distribuição calórica padronizada dos macronutrientes.

O objetivo geral da orientação nutricional é auxiliar o indivíduo a fazer mudanças em seus hábitos alimentares, favorecendo o melhor controle metabólico.

Os objetivos específicos da terapia nutricional são: contribuir para a normalização da glicemia, diminuir os fatores de risco cardiovascular, fornecer calorias suficientes para a obtenção e/ou manutenção do peso corpóreo saudável, prevenir complicações agudas e crônicas do DM e promover a saúde através da nutrição adequada.

O plano alimentar deverá:

Visar o controle metabólico (glicose e gorduras) e a pressão arterial, e a prevenção de complicações;

Ser nutricionalmente adequado. Recomenda-se ao indivíduo com DM a mesma alimentação saudável e equilibrada que todo indivíduo deveria seguir. Dietas restritivas, além de nutricionalmente inadequadas, são de difícil aderência;

Ser individualizado (atender às necessidades de acordo com a idade, sexo, estado fisiológico, estado metabólico, atividade física, doenças intercorrentes, hábitos socio-culturais, situação econômica, disponibilidade de alimentos, etc);
Fornecer valor calórico total (VCT) compatível com a obtenção e/ou manutenção do peso corpóreo desejável. Para obesos, a dieta deverá ser hipocalórica, com uma redução de 500 a 1000 kcal diárias, com o objetivo de promover perdas ponderais de 0,5 a 1,0 kg por semana. Devem ser evitadas dietas com VCT ( Valor Calorico Total ) inferior à taxa de metabolismo basal do indivíduo e, apenas em casos especiais e por tempo limitado, podem ser utilizadas dietas com VCT inferior a 1.000 calorias.

Composição do Plano Alimentar

Os carboidratos deverão representar em torno de 50 a 60% do VCT (Valor Calórico Total) da dieta da maioria dos pacientes com DM. Considerando que uma porção de carboidratos corresponde, por exemplo, a uma fatia de pão de forma ou meio pão francês ou uma escumadeira rasa de arroz ou macarrão ou uma batata média ou meia concha de feijão, o paciente deverá ingerir seis ou mais porções diárias de alimentos ricos em carboidratos. Procura-se dar preferência aos carboidratos complexos (fontes de amido) e ricos em fibras. O total de porções diárias desse grupo de alimentos variará de acordo com o VCT ( Valor Calórico Total ) da dieta prescrita e, portanto, com o índice de massa corporal (IMC), idade e nível de atividade física do indivíduo. Assim, mulheres com IMC (Índice de Massa Corpórea) > 27 kg/m2 e sedentárias poderão receber apenas seis porções ao dia. Homens ativos com peso normal poderão ingerir até 11 porções ao dia.

As gorduras deverão representar menos do que 30% do VCT da dieta. As gorduras saturadas deverão corresponder, no máximo, a 10% do VCT. Em termos práticos, isso significa que os alimentos gordurosos em geral, como carnes gordas, embutidos, laticínios inte­grais, frituras, gordura de côco, molhos, cremes e doces ricos em gordura e alimentos refogados ou temperados com excesso de óleo ou gordura deverão ser evitados. Em algumas situações, como na hipertrigliceridemia ou quando o HDL-colesterol se apresenta abaixo do desejável, pode ser aconselhável aumentar  a quantidade de gorduras monoinsaturadas (azeite, abacate, óleo de canola), reduzindo nesse caso a oferta de carboidratos.

O conteúdo protéico deve ser de 0,8 a 1,0 g/kg de peso desejado por dia. Em termos práticos, isso corresponde a duas porções pequenas de carne por dia que  podem ser substituídas com vantagem pelas leguminosas (feijão, lentilha, soja, ervilha ou grão de bico) e duas a três porções diárias de leite desnatado ou queijo magro. Os ovos também podem ser utilizados como substitutos da carne, respeitando-se o limite de duas gemas por semana, em função do teor de colesterol. Excessos protéicos, especialmente de carnes vermelhas, devem ser evitados.

A alimentação deve ser rica em fibras, vitaminas e minerais para o que se recomenda o consumo diário de duas a quatro porções de frutas (sendo pelo menos uma rica em vitamina C) e de três a cinco porções de hortaliças (cruas e cozidas). Recomenda-se, ainda, dar preferência, sempre que possível, aos alimentos integrais.

Recomendações complementares

Deve-se insistir nas vantagens do fracionamento dos alimentos, distribuídos em três refeições básicas e duas a três refeições intermediárias complementares, nelas incluída a refeição noturna (composta preferencialmente por alimentos como Leite ou fontes de carboidratos complexos).

Deve-se procurar manter constante, a cada dia, a quantidade de carboidratos ingerida, bem como sua distribuição nas diferentes refeições.

Não é recomendável o uso habitual de bebidas alcóolicas. Contudo, estas podem ser consumidas moderadamente (uma a duas vezes por semana, no limite de dois copos de vinho ou uma lata de cerveja ou uma dose de 40 ml de uísque) desde que acompanhadas de algum alimento, já que o excesso de álcool pode produzir hipoglicemia. A bebida alcóolica deverá ser restringida a pacientes com hipetrigliceridemia, obesos (devido ao seu alto valor calórico) ou àqueles com mau controle metabólico.

Os alimentos dietéticos podem ser recomendados considerando-se o seu conteúdo calórico e de nutrientes. Os refrigerantes e gelatinas dietéticas tem valor calórico próximo de zero. Alguns produtos dietéticos industrializados como chocolate, sorvetes, alimentos com glúten (pão, macarrão, biscoitos) não contribuem para o controle glicêmico, nem para a perda de peso. Seu uso não deve ser encorajado.

Vale ressaltar a importância de se diferenciar alimentos “diet” (isentos de sacarose, quando destinados a indivíduos diabéticos, mas que podem ter valor calórico elevado, por seu teor de gorduras ou outros componentes) e “light” (de valor calórico reduzido, em relação aos alimentos convencionais). Em função dessas características, o uso de alimentos dietéticos, “diet” e “light” deve ser orientado pelo profissional (nutricionista ou médico), que se baseará no conhecimento da composição do produto para incluí-lo no plano alimentar proposto.

Os adoçantes ou edulcorantes podem ser utilizados, considerando-se o seu valor calórico. O aspartame, ciclamato, sacarina, acessulfame K e sucralose são praticamente isentos de calorias. Já a frutose tem o mesmo valor calórico do açúcar. Os alegados efeitos danosos dos adoçantes artificiais não têm fundamentação científica.

A Organização Mundial de Saúde recomenda seu uso dentro de limites seguros, em termos de quantidade e, do ponto de vista qualitativo, recomenda alternar os diferentes tipos.

Fonte: http://www.portaldiabetes.com.br/conteudocompleto.asp?idconteudo=582

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O Papel do Índice Glicêmico e da Carga Glicêmica na Saúde, no Pré-Diabetes e no Diabetes.

Seg, 03 de Novembro de 2008 00:00
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Dra. Deise Mendonça Baptista
Nutricionista Especialista em Administração Hospitalar e em Saúde Pública, Prof. Adjunta do Depto de Nutrição da UFPR, Coordenadora do Curso de Especialização em Nutrição Clínica da UFPR, Membro do Depto de Nutrição e Metabologia da SBD 2008/09
Artigo Comentado: Role of glicemic index and glycemic load in the healthy state, in prediabetes and in diabetes.Riccard, G.; Rivellese, A. A.; Giacco, R. – Department of Clinical and Experimental Medicine, Frederico II University, Naple, Italy. Am J Clin Nutr 2008 jan; 87(1):269S-274S.

A opção por alimentos ricos em carboidratos na dieta habitual deve levar em conta não somente a sua composição química, mas também sua capacidade de influenciar a glicemia pós-prandial (índice glicêmico). Os alimentos ricos em fibras, geralmente, possuem baixo índice glicêmico (IG), embora nem todos os alimentos com baixo IG, necessariamente, tenham alto teor de fibras.

As dietas com baixo IG e alto teor de fibras já demonstraram diversos efeitos benéficos, incluindo menor glicemia pós-prandial, menor resposta insulínica, melhora do perfil lipídico e, possivelmente, redução da resistência insulínica. Em pessoas que não têm diabetes, estudos epidemiológicos sugerem que uma dieta baseada em alimentos ricos em carboidratos com baixo IG e alto teor de fibras pode proteger contra o diabetes e doenças cardiovasculares.

Entretanto, até o momento, nenhum estudo de intervenção avaliou o potencial das dietas com baixo IG e alto teor de fibras para reduzir o risco de diabetes, embora nos estudos de prevenção do diabetes, por meio de modificações do estilo de vida, o aumento do consumo de fibras freqüentemente faça parte da intervenção.

Em relação à prevenção cardiovascular, não há estudos de intervenção sobre o efeito da dieta com baixo IG em eventos clínicos e os resultados dos poucos estudos de intervenção sobre os efeitos do IG em fatores de risco cardiovascular não são sempre concordantes.

A melhor evidência da utilidade clínica do IG refere-se às pessoas com diabetes, às quais alimentos com baixo IG mostraram, consistentemente, efeitos benéficos em termos de controle glicêmico, a curto e a longo prazo. Nesses pacientes, os alimentos com baixo IG são boas opções de alimentos ricos em carboidratos, desde que os outros atributos dos alimentos sejam apropriados.
Comentários

O IG é uma variável proposta há longo tempo, que já enfrentou críticas e restrições, porém, seus valores diagnóstico e prognóstico têm sobrevivido e até se fortalecido com esses embates.

Nesta revisão, enfatiza-se que conquanto os carboidratos de mais baixo IG sejam as fibras, nem todas as dietas com baixo IG são igualmente ricas em tais componentes. De uma forma ou de outra, tais preparados, consistentemente, se associam com menores respostas de glicose e insulina pós-prandial e perfil lipídico mais favorável, possivelmente atenuando também a resistência insulínica.

Ainda que as evidências epidemiológicas favoreçam a proteção contra diabetes e enfermidades cardiovasculares em pessoas que não têm diabetes, quando o perfil dietético é rico em fibras e de baixo IG, estudos específicos com intervenção dietética raramente estão disponíveis para esses indivíduos e os resultados obtidos nem sempre são concordantes.

O oposto sucede nas pessoas com diabetes, em que alimentos com as propriedades assinaladas, comprovadamente, beneficiam o controle da glicemia, tanto agudamente quanto a longo prazo. Os autores endossam as dietas com fibra e baixo IG como uma opção importante para indivíduos com diabetes, naturalmente inseridos num programa de assistência dietética globalmente equilibrados.

Fonte: http://www.diabetes.org.br/colunistas-da-sbd/nutricao-e-ciencia/471-o-papel-do-indice-glicemico-e-da-carga-glicemica-na-saude-no-pre-diabetes-e-no-diabetes

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