Daniela Yumi

No começo da minha Diabetes, não sabia de muita coisa a respeito da doença, é claro! Não tinha pessoas diabéticas próximas a mim, não conhecia nenhum diabético e as poucas histórias que ficava sabendo de alguém que morreu por conta da doença, diziam que era porque tinha comido uma grande quantidade de coisas doces!
Depois de sofrer com os sintomas clássicos da doença e de ter ficado internada por uma semana recebi o diagnóstico da Diabetes tipo 1. De uma hora para outra, tive que começar a aplicar insulina, fazer medições diárias da glicemia, controlar a alimentação e tudo mais.
Fiquei doida, adorava comer um “pratão” de comida, tomar refrigerante, comer salgados, pão doce, pão francês, chocolates e por aí vai. Tive que diminuir o tamanho do prato de comida, cortei o açúcar, passei a consumir somente produtos dietéticos, pães, grãos e massas integrais, ou seja, a minha alimentação ficou bem restrita. Toda vez que ia à médica ficava perguntando pra ela: posso comer isso, posso comer aquilo!
Era muito difícil controlar a glicemia, tinha muitas hipos e hipers. Mas com o tempo fui buscando todo o tipo de informação a respeito da doença e fui vendo as inúmeras possibilidades de conviver com a Diabetes.
Um dia numa consulta à médica endocrinologista, ela comentou sobre a “Contagem de Carboidratos” e me deu um manual. Comecei a ler e vi uma possibilidade nova na minha vida de diabética. Poderia comer de tudo, desde que contasse a quantidade de carboidratos dos alimentos ingeridos e aplicasse a quantidade necessária de insulina pra cobrir os alimentos.
Vou dizer uma verdade, quase desisti logo de cara, porque tudo que eu ia comer tinha que olhar na tabela, ver a quantidade de carboidratos, fazer o cálculo, anotar tudo e tinha também que medir mais vezes a glicemia. Mas, resolvi insistir mais um pouco. Ainda bem que fiz isso, de tanto olhar na tabela, acabei decorando os valores dos alimentos e passei a depender menos dela…
Passei a ter mais liberdade na alimentação em geral. Que fique claro aqui que isso não quer dizer abusar. Mesmo porque se não continuar a ter um controle, começar a comer tudo o que der vontade em qualquer quantidade, cada vez mais a quantidade de insulina também aumenta. Aí vem ganho de peso e outros problemas decorrentes de uma alimentação desequilibrada.
Para estabelecer a razão carboidratos versus insulina segui uma das regrinhas apresentadas no manual que diz: “para o adulto pode-se partir de uma regra geral em que 1UI de insulina rápida ou ultra-rápida cobre 15g de carboidrato”.
Depois com o tempo fui observando e adaptando às minhas necessidades, pois como está escrito no manual: “Estas regras devem funcionar como um ponto de partida, necessitando ser adequadas individualmente, conforme o tipo de terapia insulínica, a análise da sensibilidade insulínica, os fatores que influenciam esta relação, as particularidades e a rotina de cada um”.
Depois de algum tempo fazendo a contagem e observando todos os dados, passei a utilizar 1UI de insulina ultra-rápida para 10g de CHO. Mas esse valor pode variar de acordo com a interferência de outros fatores.
Há outras continhas interessantes no manual para que seja possível a correção da hipoglicemia e da hiperglicemia.
Para a correção da hiperglicemia, quando constatada através da automonitorização, sigo a seguinte regra: “1UI diminui a glicemia em 45mg/dl a 70 mg/dL, aproximadamente”. Quando detecto hiperglicemia, eu aplico 1UI para diminuir a glicemia em 45mg/dL. É o que tem dado certo para mim. Uma hora depois, mais ou menos, meço a glicemia para ver se os níveis normais.
Para a correção da hipoglicemia, faço a ingestão de 15g de CHO simples, aguardo 15 minutos e meço a glicemia. Se continuar baixa, consumo mais 15g de CHO. Conforme consta no manual: “Na presença de glicemias inferiores a 60mg/dl, deve-se proceder da seguinte maneira: ingerir 15g de carboidratos simples (exemplos: 01 colher de sopa rasa de açúcar; 50 ml de refrigerante comum; 150 ml de suco de laranja; 03 balas de caramelo). Aguardar 15 minutos e verificar a glicemia domiciliar novamente. Caso ela permaneça menor que 70 mg/dL, repetir um dos exemplos do esquema anterior (15g de CHO)”.
Hoje tenho bons controles da glicemia, observo sempre a quantidade de carboidratos dos alimentos, leio os rótulos, consulto a tabela quando necessário e aplico a insulina de acordo.

“Os pacientes que monitoram a glicemia pré prandial, ajustando a dose de insulina ao total de carboidrato consumido na refeição, apresentam sensíveis melhoras nos níveis de hemoglobina glicada sem aumento significativo nos episódios de hipoglicemia severa. Demonstram também, efeitos positivos na qualidade de vida, na satisfação com tratamento e no bem estar psicológico, mesmo que os aumentos no número de injeções e de testes de monitoração da glicemia sejam necessários”.

Fonte: Manual oficial de contagem de carboidratos regional/Sociedade Brasileira de Diabetes, Departamento de Nutrição. Rio de Janeiro: Dois C: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2009 il.

9 respostas para Daniela Yumi

  1. Wanja Filgueiras disse:

    O diagnóstico da minha filha foi em 2009. No dia do seu aniversário de 4 anos tomamos um soco no estomago. Mas com a ajuda de sua endócrino, muita leitura e a percepção que ela teve sobre a necessidade de alterar, principalmente, seus hábitos alimentares, conseguimos superar o trauma inicial.

    A contagem de carboidrato foi adotada espontaneamente logo no início. Na segunda consulta com a médica ela nos informou que já estávamos adotando este procedimento. Acho essa ferramente super importante e nos dá uma certa liberdade, considerando o fato da Iara ser uma criança. Ah, destaco que ela está super bem, gozando de perfeita saúde.

    • Daniela Yumi disse:

      Olá Wanja! Parabéns aí pra todos vocês! O importante é fazer o necessário pra manter a boa saúde! Um grande abraço a todos!

  2. leia disse:

    Adorei ler esses depoimentos aprendi muita coisa pois tenho uma filha
    diabetica hoje com quase 10 anos
    mas como é bom saber que eu não sou a única a enfrentar esse problema
    faz 7 anos que giovana tem diabetes pra mim é como se fosse ontem que meu mundo
    caiu e confesso que se não fosse minha religião sou evangélica eu estaria muito pior!
    muitos bjss á todos

  3. Giedre Pozzobon disse:

    Parabéns pelo blog!! Tenho um filho de quase 6 anos e diabético há 4 anos.Estou adotando a contagem para um melhor controle e o manual é muito bom mesmo!

  4. CELIA MARIA disse:

    MEU NOME É CELIA DE BELO HOIZONTE, MINHA FILHA TEM 3 ANOS E 8 MESES E TEM 2 MESES QUE DESCOBRIR Q MINHA FILHA É DIABETICA, NAO SEI COMO FAZER A CONTAGEM DOS CABOIDRATOS A MEDICA AINDA NAO ME FALOU NADA A RESPEITO MAS COMO TENHO PESQUISADO NA INTENERT E PROCURO LER O QUE EU POSSO SOBRE O ASSUNTO, COM CERTEZA VOU PRECISAR POIS É O SEGUNDO MES QUE ANOTO AS GLICEMIAS NO DIARIO E ESTA DANDO MUITOS PICOS ACHO QUE HIPER E HIPOR ESTOU CONFUSA POR FAVOR GOSTARIA DE TROCA IDEIAS COM PESSOAS QUE TEM DM1 TIPO 1. MEU MSN É csobralm@hotmail.com

    • paulo rodrigues disse:

      Se o endocrinologista dela não te orienta bem a respeito, vale a pena procurar um outro endocrinologista.

  5. Rose disse:

    Ola Daniela!
    Em primeiro lugar, meus parabens pelo Blog, muito bem feitinho
    e principalmente, util!
    Minha finha tem DM1 ha 1 ano e meio, faz contagem de CHO
    desde o primeiro dia de confirmaçao, la esta muito bem,
    moramos em Goiania, ainda existem pouquissimas informaçoes
    sobre a quantidade de carboidratos de alguns alimentos.
    Seu blog nos ajudou muito, vou mandar pra voce
    alguns alimentos que descobri a quantidade de CHO.
    Um grande abraço!!
    Mesmo com diabetes, a vida pode ser maravilhosa,
    afinal, nao e so os portadores de diabetes que precisam comer
    menos,e melhor todo mundo precisa!

  6. David disse:

    mto bom o site! parabens!

  7. Lara disse:

    Daniela,

    Parabens pelo blog. Certamente é útil para muita gente.🙂
    Deixo como sugestão a inclusão de um mecanismo de pesquisa de alimentos por nome.

    Abraços,

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